sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Beleza santomense







"E com a beleza que te encheu a alma já não precisas de acreditar em mais nenhuma eternidade senão a do teu olhar"
Cadilhe



Aqui fui, sou e serei feliz.




África divide-se hoje em mim em dois momentos.

Dois momentos que se distinguem por anos, pela minha maturidade, por países, por dialectos, por paisagem, por climas, por visões de vida. Foram 3 os anos que passei entre as duas experiências que senti aqui, nesta parte do mundo que nunca deixa de me surpreender. No entanto, existe um momento, um sentimento que em ambos se repetiu e que em mais nenhum outro lado consegui alcançar.
Aqui fui feliz. Aqui consegui atingir a plenitude da felicidade, pelo menos da minha felicidade.
Sou uma pessoa muito crítica quanto à felicidade. Não acredito que uma pessoa seja sempre feliz, acredito que uma pessoa tem momentos de felicidade, de grande felicidade. De outra forma, não saberia que o que sente seria, de facto, felicidade e passaria apenas a viver numa rotina que deixaria de ser felicidade e passaria a ser a normalidade. Recuso-me a passar a minha felicidade para essa normalidade e prefiro viver os picos que a vida me dá. 

Atingi o meu pico da felicidade, aqui, do outro lado do mundo de onde fica a minha vida, estranhamente longe de todos aqueles que mais amo, mas onde me sinto completa. Atingi aqui a felicidade nos dois momentos em que África abraçou o meu caminho. 
A primeira vez, em Moçambique, não o consegui identificar, ficou só a sensação sem precisão. Desta vez, desta vez para mim foi claro, senti aquele sentimento a crescer dentro de mim com todas as forças, só queria explodir de tanta felicidade, não me conseguia rir mais e os meus olhos, ah tenho a certeza que os meus olhos pareciam os de uma criança quando vê um doce. Foi aquele o momento, depois da noite passada com o grupo todo na Praia de Jalé e antes de chegarmos a casa, enquanto íamos apenas 6 pessoas naquele toyota hiace, enquanto éramos envolvidos por toda aquela paisagem que só é possível de se ver e sentir em São Tomé, enquanto ouvia música e olhava para todo o meu redor, enquanto sentia que estava ali, ali no projecto que desenhei e que consegui concretizar, enquanto lutava eu e mais aquelas 5 pessoas por um mundo diferente, nesse exacto momento, senti que nada mais me faltava para ser feliz.

Aqui fui, sou e serei feliz.

A Gusta



A Gusta é uma mulher de porte. 
De porte, porque a bata que usa todos os dias no Centro Padre Silva não escondem o volume de todo o seu corpo já gasto por tanto trabalho que é exigido por esta terra verde que é São Tomé. 
De porte, porque é mulher e as mulheres santomenses são a laranja mecânica deste paraíso. São elas que fazem este país girar com a sua garra, com as suas mil e uma tarefas diárias, com o trabalho pesado que aguentam, com os pesos extraordinários que conseguem, tal como um especialista, equilibrar na cabeça enquanto carregam os filhos às costas.
De porte, porque a Gusta fala demais numa terra em que se fala de menos. 
De porte, porque a Gusta mete as mãos à cintura e ninguém a consegue parar. Vai directa à pontaria que ela própria estipulou que nem uma seta acelerada com pressa de tudo e de nada. 
De porte, porque a Gusta está sempre com um riso genuíno na cara mesmo quando me pergunta se preciso que me lave a roupa e eu respondo pela milésima vez que eu tenho mãozinhas para isso.
De porte, porque tanto sabe dar como tirar na medida da sua certeza. 

Gosto da Gusta. Faz lembrar-me as mulheres nortenhas e a força e o vinco que sempre adorei ver na personalidade de uma mulher.

terça-feira, 17 de julho de 2012

África enche-me a alma.




"Sei que viajar propiciona alguns dos dias mais intensos e felizes da vida. 
Ainda mais se fores tu a decidir o teu itinerário, as tuas etapas e os teus interesses.
A viagem será tão mais intensa e feliz quanto mais for tua" 



Gonçalo Cadilhe

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ribeira Afonso







Ribeira Afonso fica para Sul Litoral de São Tomé a cerca de 32 km da capital.

Aqui não existe sol nesta altura do ano, a chuva tropical (principalmente à noite) é frequente, o tempo não é tão quente e o ar não é tão húmido como nos outros sítios de São Tomé. Aqui a comunidade é banhado pelo mar, complementada pela fantástica praia das setes ondas e sobrevive do alimento que o mar lhes dá.
Aqui não existe água quente, a electricidade falha imensas vezes, a água (quando existe) tem uma cor acastanhada e os bichos são mutantes.
Aqui vai-se de um lado ao outro em 5 minutos e nesses 5 minutos o nosso olhar é absorvido pelos diferentes tons de verde das árvores, pela praia e por casinhas pequenas de madeira que aparecem de forma desordenada e incompleta umas atrás das outras.
Aqui a pobreza é visível e cheira-se, mas ninguém a tenta esconder, muito pelo contrário, aqui reina a honestidade e a simplicidade em todas as coisas. Aqui todos têm pouco e mesmo assim dão o pouco que têm.
Aqui existe a Roselini que é a rapariga com 19 anos que vende peixe pela vila com um balde na cabeça e que diz que não estudou mais porque não existe escola e que já é mãe de um rapaz de 3 meses. A sua avó (que já é bisavó também) tem apenas 52 anos e é uma senhora amorosa que com um sorriso de orelha a orelha disse que nos queria oferecer o almoço.
Aqui não existem casas de banho, os animais andam à solta tantas vezes pela praia, e as crianças trepam pelas árvores para apanhar cocô, cajamanga e outros frutos.
Aqui acorda-se e adormece-se com o som do mar.
Aqui a vida tem um tempo próprio, um nexo estranho e uma vivência “leve-leve”.

Isto é Ribeira Afonso e faz hoje mais de uma semana que é a nossa casa. 

quarta-feira, 11 de julho de 2012







“Nunca se volta ao sítio onde já se foi feliz”.

Tenho pensado muito nesta frase, no que ela de facto significa e se é, de facto, verdade ou não. África é a minha paixão, Moçambique foi a minha primeira queda, o primeiro sítio do mundo onde me senti completa, plena, eu mesma. Fui feliz como nunca em Maputo apenas naqueles dois meses e passei os três anos seguintes a tentar voltar àquela sensação, à sensação da respiração leve e plena, à leveza, à felicidade extrema- pelo menos à minha.

Esta sensação cheia tornou-se rapidamente num medo que me atormentou. Será que eu, que acredito que nunca se deve de facto voltar onde já se foi feliz, estava a fazer exactamente o contrário do que acreditava? Será que me iria desiludir pela primeira vez contigo, mundo da terra quente e alaranjada? 

Começo a achar que a questão não é o voltar ao sítio onde se foi feliz mas antes não estar nesse sítio à espera de sentir exactamente tudo da mesma forma como se sentiu de alguma vez- já a Flávia me tinha dito isto. Cada sentimento é um sentimento, cada dois meses são dois meses, e esses nunca mais serão repetidos, nunca mais voltarão e não voltei para ti, oh Africa que és tão minha, para voltar a sentir daqueles dois meses. Esperei mais de ti, esperei sempre mais de ti.
Esperei que me conseguisses supreender de novo, que me fizesses apaixonar por ti novamente, de uma forma distinta, com cores alternantes, com outros sons vibrantes e com um novo caminhar. Esperei mais de ti, e ainda bem que esperei, porque como sempre atingiste-me de uma forma sempre tão tua que não consigo nunca explicar.

São Tomé é uma realidade diferente e separada da que vivi até hoje, é uma outra postura de vida. O “leve-leve” constante sente-se logo quando se aterra e se inspira pela primeira vez aquele ar pesado e húmido que custa a entrar e o contágio começa logo ali, ali mesmo a um passo do avião e sem termos ainda sequer tocado o chão.

Aqui agora a paisagem é verde, mas um verde que é tão apaixonante que não dá para descrever. Existem, à nossa volta, vários tons de verde que parecem ter sido pintados com o maior dos cuidados e com uma dedicação e empenho que transformou São Tomé num pequeno paraíso à beira-mar. Aqui as pessoas continuam com o seu sorriso constante, o tacto necessário e constante dos Africanos continua a ser visível, as pessoas andam sempre a pé e a vida tem um cansaço muito próprio.  Aqui acredita-se em feitiçaria e na religião e as casas são quase todos do tamanho das nossas cozinhas mais pequenas, todas de madeira ou então antigas casas coloniais onde os santomenses vivem todos em amontoados numa comunidade com regras que só eles conseguem definir e precisar. Aqui existem micro-climas porque tanto temos um sol maravilhoso em São Tomé como chuva tropical em Ribeira Afonso, existem micro-dialectos que faz com quem os próprios santomenses não se percebam entre si, existem micro-areias porque temos praias de areia preta e outras de areia branca, aqui existem micro-espaços porque tanto temos praia como temos o Pico de São Tomé.

Aqui a dualidade de São Tomé faz todo o sentido, para mim pelo menos faz.

Volta-se ao sítio onde se foi feliz, nunca se pode é voltar a procurar a felicidade que já se sentiu. Faz sim sentido procurar uma outra felicidade, um outro sabor, uma outra visão do mesmo olhar do mundo.


segunda-feira, 9 de julho de 2012


"Gosto de vocês . Não pela vossa cor mas pela vossa postura"

terça-feira, 3 de julho de 2012

Contagem decrescente: 2 dias.


Estávamos ali só os dois naquele café, num final de tarde de Outono, com o pior café que jamais bebi e que além de já ser mau só por si ainda me caiu pior quando ele me disse

“Ana, a Ana devia pensar bem, fazer um projecto assim apenas com estes meses será impossível”.

Primeiro admito, foi um pequeno choque. Aquele homem de cabelos brancos e com mais anos de experiência que eu acabava de me pedir para que não acreditasse naquilo que dentro de mim já começava a crescer, dizia para desistir do projecto que já explodia na minha cabeça e tentava derrubar todas as forças que tinha conseguido reunir.

“A Ana devia ponderar fazer o programa só para o ano. Tem que entender que fazer um programa à distância, sem conhecimento será muito difícil, demasiado arriscado”.

Todo aquele discurso a este ponto já não fazia qualquer sentido. Para mim eram só palavras, palavras vagas, sem significado relevante que apenas se exponham sobre mim numa realidade que não queria eu que fosse a minha. Mas, sinceramente? O que é que sabia eu? Tenho 23 anos e apenas uma paixão infindável por África e por este programa. O que é que isto significava frente a um sábio homem com os seus 60 anos e claros 30 anos de experiência neste mundo onde me arriscava agora? De que valia esta força que gostava de achar que tinha? E será que a tinha? Começavam a aparecer demasiadas dúvidas, questões e inseguranças para que eu começasse a temer o fim de uma estrada que ainda nem sequer tinha começado a construir.
Acho que foi aqui o meu ponto de viragem. Foi quando naquele café de paredes cheias de fotografias de pessoas famosas que por aquelas cadeiras desconfortáveis passaram, que eu o ouvi dizer a única coisa que precisava de ouvir

“A Ana nunca vai conseguir, arriscar assim seria uma loucura”.

A loucura, move o mundo. E moveu-me a mim. Saí daquele café com a cabeça erguida, com a intenção de ignorar as duas últimas horas de conversa e com uma força e vontade gigante de mostrar que ao contrário do que achavam iria conseguir ou iria falhar, mas tentaria sempre. Não ia desistir e decidi ir até onde achasse que fosse possível, até onde as minhas forças me levassem e até onde os meus passos aguentassem. Conheço-me bem para saber que seria uma batalha na qual eu iria dar luta. Este programa seria o “meu programa”, a minha raíz no mundo e não iria desistir dele, pelo menos não com tanta facilidade.
Passaram sete meses desde aquele café. Mentiria que dissesse que foi fácil, que fiz tudo com uma perna às costas, que nunca precisei de ajuda e que nunca me desviei deste grande objectivo. Seriam mentiras. Na verdade, custou imenso, tive imensas pessoas que não acreditaram em mim e neste objectivo, a desistência às vezes tornou-se a escolha mais fácil e toda a dedicação e tempo que são precisos às vezes tornavam-se um fardo que era difícil de suportar.

A loucura move o mundo. A mim moveu-me. Passados sete meses estou aqui, a desenvolver o AHEAD Rumos São Tomé, a tornar real a sua ideia pioneira, a lutar com mais 5 pessoas extraordinárias para que nunca nos possam mais dizer que a loucura não leva a lado nenhum. Não, não me digam, nem nos digam mais isto. Provei até aqui e irei provar durante os meses de Julho e Agosto que a loucura e a paixão que me moveram estavam do lado certo da vida.

A loucura, move o mundo. 

Ana(ita) Vasconcelos


São os detalhes que definem as pessoas. 
Que lhes dão côr e forma, graça e intenção.
São os detalhes que fazem a diferença, que cativam e nos tornam naquilo que somos.
Que aproximam.



A Anita tem todos os sonhos do mundo, tem força e um desprendimento saudável que não a deixa ficar parada  ver a vida passar. Ela corre atrás, ela acredita.
Faz o caminho que lhe parece mais correcto, não dá tudo de uma vez só, não ganha confiança numa conversa de café.
É uma apaixonada pela vida, pelas experiências e momentos que nos tornam maiores, mais fortes, mais felizes.
É a mãe do nosso projecto, o  AHEAD Rumos São Tomé.
Como dentro do que é real o impossível não é nada, de um sonho pioneiro criou um programa que alimentou com vontade, responsabilidade, com garra e confiança que foi ganhando contornos cada vez mais reais.
Acima de tudo a Ana acredita.
Acredita que a mudança começa pelas coisas simples e humanas, acredita na possibilidade de fazer a diferença, que o trabalho e dedicação antecedem a concretização.
Que a luta nunca é em vão, sabe que tentar sempre mais uma vez é sinal de inteligência e humildade mas que há momentos para tudo e quando é preciso parar, para-se.
A Ana tem pronúncia do norte, força para aguentar o barco e remar contra a maré.
Está sempre pronta para rir e com um sorriso para partilhar, gosta de aproveitar o que o mundo tem para oferecer mas quando o relógio aponta “trabalho” as prioridades mudam para que os objectivos sejam alcançados.
Se quinta feira vamos partir rumo a São Tomé e Príncipe com um sorriso e muita vontade na bagagem é à Ana que temos que agradecer.
Ela acreditou na mudança, neste projecto, em nós cinco.
Ainda há muito para conhecer, curiosidades por perguntar, feitios para compreender e mais detalhes para reparar.
Sabe melhor quando é aos poucos, tem muito mais sabor quando se descobre devagar.
A Ana acredita e nós acreditamos nela.
A palavra preferida nunca vai deixar de ser a mesma, AHEAD Rumos São Tomé.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Anita vai a África II

Um dia acabei de te escrever com uma promessa.
Uma promessa que sabia bem que iria cumprir. Não foi, nunca, uma promessa em vão, uma promessa que não foi pensada, que não foi querida, que não era expectável, que saiu sem sentimento. Foi uma promessa que veio do fundo do meu ser, da mudança que fizeste na minha vida, da visão que me ajudaste a enxergar, do meu coração de menina de 20 anos.

Um dia acabei de te escrever com uma promessa.
Jurei-te que haveria de voltar. Com todas as minhas forças e com toda a minha coragem bati nas teclas do computador ao escrever aquela última frase. Lembro-me como se fosse hoje, estava sentada no sofá da sala com as pernas "à chinês" com o computador por cima e chorei a cada letra que escrevi. Chorei, chorei e ficou o vazio.
Durante muito tempo senti esse vazio. Não sabia explicar, não o queria explorar, não me queria interrogar. Durante muito tempo, vim aqui a este blog para tentar combater esse vazio, essa dor, para te relembrar, para nunca deixar que a saudade e o tempo nos apagassem. Não te consigo explicar como só de ler um ou dois textos parecia que me encontrava, parecia que por momentos voltava aí, à terra do vermelho-alaranjado, a essa certeza certa que só tu me conseguiste dar.

Um dia acabei de te escrever com uma promessa.
Mais do que querer, passou a ser uma necessidade, uma busca incessante, uma vontade inexplicável, uma certeza incerta e uma sensação que o meu caminho tinha que voltar a traçar-te.

Um dia acabei de te escrever com uma promessa.
Prometi-te "Nada mais será como dantes. África hei-de voltar!".
Nada mais foi e voltarei, voltarei para ti, para me perder novamente na onda em que só tu me sabes levar.

domingo, 30 de agosto de 2009


Aos melhores meses da minha vida:


Nada mais será como dantes.
África hei-de voltar!

sábado, 29 de agosto de 2009


Fotos: Orfanato 1º de Maio

A reacção não era a mesma, as feições não eram as mesmas, o olhar estava alterado, o sorriso dava lugar a uma tristeza, os berros típicos de crianças eram substituídos pelo silêncio que nunca reinava aquele orfanato.
Os mais pequenos não se aperceberam o que aquele último "olá" significava, mas os mais crescidos sim. Aquele "olá" seria o último, o derradeiro, a última visita, a última entrega tão próxima, o último sorriso partilhado, o último abraço. Sim, foi o último dia em que pisamos o orfanato 1º de Maio, que sentimos aquele calor a que já estávamos tão, tão habituados.
As horas foram passadas a brincar com os mais pequeninos. Os mais velhos não se aproximaram. Senti exactamente o que senti quando ali pus os pés pela primeira vez: que aquelas crianças não se deixavam tocar, não se aproximavam de nós a não ser pelo toque, não se ligavam, não nos deixavam ir mais além.
O toque foi habitual, os mais pequenos não sabiam que cada sorriso era uma despedida, por isso foram tão desprendidos como o usual, nem nós quereríamos de outra forma.
Via ao longe o olhar da Clarinha, da Florença e do Vicente. Falo-vos especialmente deste três meninos que me marcaram como nunca. O Vicente dava-me abraços leves, rápidos apenas quando lhe pedia, a Clarinha fingia nunca me ver, passando mesmo à minha frente, a Florença mirava-me sempre de longe, numa cara sem expressão.
Chegava a hora, não podíamos prolongar mais, era tudo demasiadamente doloroso. Despedi-me de todos com um beijinho na testa sem que algum deles se apercebesse que o meu aperto no coração aumentava com cada beijinho.
Foi nesse momento. Com o Vicente já abraçado a mim vi a Clarinha correr para os meus braços. Suplicou-me que não a abandonasse, que não me fosse embora, que não a deixasse, fazendo-me promessas de bom comportamente que supostamente me iriam convencer a ficar. Tentei explicar-lhe que não podia ficar da melhor forma que o limite da força que fazia para não chorar conseguia. Agarrada a mim já ao portão batia com os pés como quem faz uma birra e continuava a pedir. Sentou-se em frente do Portão para eu não o conseguir abrir. Não me queria deixar sair daquele sitio, não percebia a minha partida, não entendia que se gostava tanto dela o porque da minha despedida. Choramos as duas juntas com o Vicente ainda agarrado a mim. Nessa altura chega a Florença. Aquela menina que tão raramente esboçava sorrisos, que tão levemente me deixava entrar no mundo dela, que tão dificilmente me olhava de frente começou a chorar sofregamente. Chorou, chorou, chorou. Nunca me custou tanto, ainda agora me arrepio. Nesse momento disse-me:

"_Sabes porque é que nunca falava contigo Ana?"

"_ Não Florença, diz-me."

"_ Porque me vais deixar, porque já sabia que ias embora. Vão todos para casa, eu fico sempre. E fico sempre sem as pessoas que gosto."

Como doeu. Nunca, nunca na minha vida me custou tanto uma atitude minha. Nunca!
"Morri" aos pedaços por dentro, vagarosamente, na meia hora que estive em frente ao portão do orfanato com aquelas 3 crianças. A "morte" é dolorosa, pelo menos a minha naquele momento foi.

Afinal de contas consegui tocar aquelas crianças tão aparentemente intocáveis.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009



Foto: Vicente

Imaginem...
Imaginem um orfanato colorido.
Imaginem o parque infantil onde 500 crianças brincam, se empoleiram nas grades,trepam árvores, correm uns atrás dos outros, gritam, chamam pela atenção dos que os olham.
Imaginem no meio de tanta multidão uma rapariga.
Imaginem uma rapariga sentada no chão, com pernas à chinês.
Imaginem a rapariga que enrolava a criança.
Imaginem uma criança de 3 anos sentada ao seu colo.
Imaginem o bater do sol na sua cara rechonchuda típica de uma criança pequena.
Imaginem que o bebé adormecera no seu colo, encostado ao seu peito com o dedo na boca.
Imaginem este cenário no meio da confusão.
Imaginem que os dois vivam um momento só seu.
Imaginem o olhar triste dessa rapariga.
Imaginem que é um olhar de despedida, de uma despedida forçada, necessária, imposta, que nenhum dos dois podia mudar.
Imaginem a despedida em silêncio.
Imaginem a perfeição do momento.
Imaginem o relembrar de todos os momentos que passaram juntos como flash-backs nas suas cabeças.
Imaginem a lágrima a cair do canto do olho da rapariga.
Imaginem um sentimento vazio.
Imaginem...


Hoje despedi-me do Vicente. Custou-me. Sem ele saber desejei leva-lo comigo para Portugal. O meu Vicente. O meu texuguinho.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009


Foto: As pintarolas

Sentei-me na secretária de aula. Pedi para as minhas 7 pintarolas se juntarem a mim. Hoje faltava o Sipriano. Ainda bem, o meu primeiro confronto com a despedida seria menos doloroso.

"_Meninos a professora tem que falar com vocês sobre uma coisa!"

A rita fez cara de espanto, a Ema de medo, o Igor de desconfiado, o Kevin não moveu a expressão que já tinha, a Brigida continuou com o seu sorriso sempre presente e o Faquir abriu a boca. Senti o coração tremer. Estava rodeada das minhas pintarolas, dos meus meninos. Como gosto daqueles miúdos.

"_Minhas pintarolas vocês já sabiam que a professora ia ter que ir embora não sabiam? - recebi uma resposta afirmativa com a cabeça em conjunto. Os olhares dos seis mudavam, trocavam-se uns com os outros e encontravam-se não sei bem a procura do que - pronto, esse dia vai ser sexta-feira. A professora vai embora sexta-feira. Igor vai lá apontar à cartolina em que dia da semana estamos e quando é sexta-feira."

Acho que nunca vos disse. A "parede das pintarolas"- como lhe chamo- é uma das paredes da sala sombria e com cheiro estranho em que dou aulas. É a parede junto às secretárias onde trabalhamos. Esta minha parede está repleta de cartolinas, de desenhos, de estratégias desesperantes para tentar fazer com que as cores, o abecedário, as palavras, as horas, o calendário fluíssem mais facilmente naquelas cabecinhas. No meio de tanta tralha de parede, existe o calendário. O Igor, apesar de ser o mais alto da turma, é pequenino e só chega ao calendário em cima da cadeira e de bicos de pé. Assim, nesta mesma posição, apontou para segunda-feira e disse:

"_ Estamos aqui. Não é senhora professora?"
"_ Sim muito bem Igor. E quando é sexta-feira?" - respondi eu.
"_ Sexta-feira é aqui!"

Falou antes de apontar. Antes de apontar parou a olhar para a cartolina. Virou-se para mim e disse:

"_ Já?"

Olharam todos para mim à espera de uma resposta que eu mesma não tinha. Sim já, era já.

"_ Mas a professora volta, não volta?" - os olhos de interrogação sugavam-me. Não queria responder que talvez não o iria ver mais. É o mais provável, sim infelizmente é verdade. Não o queria dizer, pensar, reflectir, sentir.

"_ Talvez queridos."

"_ Para o ano?"

"_ Não para o ano vêm novos professores. Não sou eu, nem a professora Joana, nem o professor Elias. Vai ser giro, vão ver. Os outros professores vão ser vossos amigos."

Foi então que o Igor perguntou de rompante como quem arranca rapidamente a cera para não magoar tanto.

"_ A professora não volta... Nunca mais?"

Fiquei calada. Não tive resposta, não tive reacção. Aprendi aqui em África a, por vezes, não ter reacção às coisas. Ficar calada, sem saber o que dizer, o que fazer, o que sentir.

Agarrei-me a eles, sim em plena aula, não queria saber o que a professora iria achar. Estava ali, naquele pedaço de aula que é o meu, que é o meu espaço de cor naquela sala sombria.



"_ Quando for embora eu vou chorar. Vou ter saudades professora" - disse a Ema, afirmaram os outros.


Estas são as minhas pintarolas, o meu orgulho, os meus olhos, os meus berros, a minha pureza, a minha dedicação, o meu suor, a minha luta, a minha vitória!

domingo, 23 de agosto de 2009


Fotos: Ricochó


Contagem decrescente. Dizer assim parece que é algo negativo, algo que esperamos que acabe, algo que ansiamos o seu fim, algo que não marcou pelo lado bom da vida.
Não, nada disso, isso é errado. Quer queiramos quer não entrei esta semana numa contagem decrescente que me custa, que não queria, que não anseio que acabe. UMA SEMANA! Não quero que acabe os melhores dois meses da minha vida. Não o digo com medo, com atrevimento, com dúvidas. Escrevo-o, digo-o, demonstro-o com toda a certeza que os meus 20 anos podem ter.

Entrei neste projecto a dizer: "_Vou receber mais do que vou dar" Como é verdade. Não me ousem dizer: "Ahh... foste tão corajosa. Que nobreza!" Não. Não me voltem a dizer isso. Durante estes dois meses aprendi mais do que em quaisquer dois meses na minha vida. Não me falem deste projecto como se não recebesse nada, como se saísse daqui vazia, como se fosse eu a única e exclusivamente que iria dar sem retorno. Dei, sim é verdade, dei. Dei de mim a um projecto como nunca antes, dei aquelas crianças o limite das minhas forças, dobrei-me em mil para muitas vezes lhes conseguir chegar, com as 13 pessoas que vivem comigo dei o melhor de mim, o meu esforço diário, o apoio mais forte que consegui, as risadas mais puras que vivi, a este povo dei uma nova visão de vida.


Não apenas dei. Recebi. Recebi muito. Com uma casa cheia aprendi a ter calma, a ter respeito, a ter uma serenidade que desconhecia no limite do meu fervilharão tipico de uma jovem de 20 anos, aprendi que ainda existem amigos verdadeiros, aprendi a beleza dos defeitos das outras pessoas, aprendi a comer numa mesa cheia, aprendi a aceitação de ideias contraditórias, com este povo aprendi a felicidade extrema, a facilidade da vida, a superação de tantos problemas, o sorriso genuíno, o lado bom da vida, a pobreza, o verdadeiro choro, o aperto no coração, um lado da vida negro que a minha bolha actimel nunca me deixou ver, a simpatia, a lealdade, a fome, o olhar de medo, com aquelas crianças da escola aprendi a ajuda, aprendi a calma, aprendi a atenção, aprendi a ser compreensiva, aprendi a ter que ser inovadora, aprendi a ultrapassar o que desconhecia, aprendi a errar, aprendi a errar com o apoio daquelas pintarolas que errando eu, nunca me censuraram, sempre me ajudaram, aprendi a felicidade e realização de juntos conseguirmos começar a ler pequeninas palavras, fazer pequeninas contas, aprendi o espírito de união que pode existir entre 7 crianças. Com o Sipriano aprendi a diferença, aprendia a beleza dos gestos simples, aprendi o sorriso puro, recebi o beijo mais intenso da minha vida, aprendi a vitória das pequeninas coisas, aprendi que é possível mudar a vida, o futuro. Com as crianças do orfanato aprendi um lado terrível da vida, aprendi a dureza de quem vive na rejeição, aprendi como é duro ver todos irem para casa e uns a sempre ficarem, aprendi a chegar ao coração de quem inicialmente não nos deixa, aprendi com o Vicente o abraço mais apertado do Mundo, aprendi com o Dudu a responder a perguntas difíceis, aprendi histórias cruéis que marcavam cada criança que ali estava, aprendi a reacção que cada um deles tinha quando receberam o seu primeiro caderno, quando pela primeira vez tiveram uma espécie de escola, o mais próximo de escola que lhes poderíamos dar. Com África, conheci as melhores paisagens de sempre, vive as maiores histórias da minha vida, aprendi a viver sozinha, aprendi a superar a saudade, conheci uma realidade que desconhecia, aprendi uma nova forma de caminhar, de respirar, de viver.



Superei o que achava que não conseguia. Superei, mudei, vivi, alterei e estou feliz. Estou feliz como nunca estive.

sábado, 22 de agosto de 2009


"Já tocaste o limite do Mundo. Sentiste?"





Fotos: (por ordem)
Papito
Maria
Vicente, Florença e Maria
Clarinha
Palmira



Hoje as cores do orfanato estava diferente. Hoje as cores vivas das suas paredes estavam menos cobertas do sombrio que aquele espaço simboliza. Hoje as cores eram garridas, eram alegres, eram vibrantes, eram reais. Hoje foi o nosso almoço de despedida do orfanato 1º de Maio.
Quando lá entravamos a nossa visão ficava repleta de balões de cores variadas, musicas aos berros, crianças que dançavam ora ao som desta, ora em cima das cavalitas dos meninos, ora ao colo das meninas, ora comiam, ou corriam, ou saltavam, ou caiam, ora não sabiam que mais fazer. Hoje aquelas crianças estavam genuinamente felizes, e isso, isso transparecia nos seus olhos. Era uma imaginem bonita, muito bonita.

Hoje depois de almoço metemos as crianças sentadas no refeitório em frente à televisão. Passamos um video com fotografias suas e música. Para nós o gesto mais simples, banal, pacifico. Para eles, turbilhão de sentimentos, euforia, a primeira vez que se viam em grande plano em fotografia, gritos, risos, caras envergonhadas, gritos, e mais risos. Estavam histéricos.


Hoje depois de vir do orfanato caí pesada no sofá da sala. Já me pesa a despedida. Rendi-me à melancolia que o momento pedia. Aquelas crianças durante 2 meses foram o centro da minha vida, como me poderia passar tudo isto ao lado? Queria leva-las a quase todas para casa, já conheço os pormenores de tantos deles, já aprecio com sentimento quase de mãe do abraço do Vicente, já me abaixo para a Palmira correr para os meus braços, já finjo que mordo a bochecha do Papito porque sei que ele adora, já sei como fazer a Maria parar, já sei quem mais gosta de por os meus óculos na cara e imitar-me, já sei quem em olha de frente e adora e quem me olha ainda de lado, já sei lidar com a rebeldia da Clarinha, já sei ver quando a Florença está feliz, já sei. Já sei tanto daquelas crianças, como é que isto nos passa ao lado.

"_ Já sabias desde o inicio que ia ser assim!" - já dizia o meu irmão João.

Sim é verdade. Sempre soube que assim seria, sempre o previ. Mas não sabia o que era isto. Nunca tinha experimentado este sentimento, portanto as minhas suposições não eram mais que isso mesmo: suposições. Doí, magoa, custa, pesa. Mas é bom. É bom sair dali e olhar para aquelas crianças, aqueles meus, nossos meninos.


Nada mais vai ser como antes, África obrigada*

quinta-feira, 20 de agosto de 2009


Foto: God's window - África do Sul

Sem motivo aparente começa a chorar. Estranhei. O Vicente não é criança de chorar. Não era o choro dito como "normal" das crianças do orfanato, era um choro sôfrego, intenso, acelerado, repetitivo em que todas as suas energias eram gastas naquelas lágrimas que não haviam maneira de serem paradas. Tentei perceber o que se passava. Tentei falar com o Vicente. Tentei que me ouvisse. Tentei que me olhasse nos olhos. Tentei que se sentasse comigo para tentar entender aquilo que por momentos me era inatendível. Nada. Absolutamente nada foi a resposta que obtive. O Vicente tinha-se fechado nas suas muralhas e não tinha deixado uma ranhurazinha para eu entrar.

Chegava quase a hora de irmos embora. Já as crianças do orfanato estavam nos baloiços. Nesse momento sinto uma mão pousar na minha cintura. Sim, era o Vicente.

"_ Ana, queres saber porque estava a chorar à pouco?
_ Claro que quero Vicente. Conta lá...
_ É que tu vais-te embora. Vais embora como vão todos embora. Até os meus amigos vão embora."


O trabalho de voluntariado é ingrato. Sim ingrato. Dá-mos a estas crianças um bocado que lhes tiramos depois. O pequeno Vicente estará melhor agora, ou estaria melhor se eu nunca tivesse aparecido na sua vida? Será assim tão justo entrar na sua vida para mais tarde sair sem autorização desta criança? O trabalho de voluntariado é ingrato.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009


Foto: Kevin

A sala de aula começa a ter o cheiro do tempo quente. No espaço temporal de um mês o tempo aquece, as mulheres deixam de usar roupa por cima de roupa, as crianças esquecem os casacos, os gorros começam a desaparecer de vista, o suor aumenta, o cheiro típico de verão começa a pairar, a paisagem humanista altera-se.

A minha entrada na sala de aula é sempre como que uma rotina. Antes de entrar já os alunos estão sentados e começam a desviar o seu olhar quando me começam a ver aproximar e esboçam sorrisos. Os gestos, reacções, falas, olhares são sempre os mesmos. Levantam-se as crianças e exclamam: “Boa tarde Senhora Professora Ana” ao qual respondo “Boa tarde meninos” quase que ao mesmo tempo que miro todas as pequenas caras. Deito fora conversa banal com a senhora professora que com cara de alívio me vê arrastar de si os 8 alunos a quem chama de “burros”.

Hoje a minha entrada de sempre foi diferente. A senhora professora ainda não tinha chegado e à minha entrada obtive não o discurso habitual e decorado mas antes um silêncio insistente, incomodativo e, no mínimo, estranho. Quarenta olhinhos observavam-me com a cara típica de criança que depois de fazer asneira tenta pedir desculpa com o olhar. Olhei pela sala à procura dos vestígios da asneira em que os meus meninos, supostamente, se encontravam. Foi então que sentado a um canto a chorar encontrei o Kevin ainda encoberto pelos corpos dos seus colegas. O choro sôfrego expandia-se, agora, pela sala de aula e o seu nervosismo que se espalhava pelo pequeno corpo do Kevin foi o impedimento para que o conseguisse acalmar. Sem saber muito bem como reagir, agindo impulsivamente pelo meu sangue frio, puxei cuidadosamente pelo seu bracinho e levei-o para o pátio da escola. Ali, sentados debaixo da árvore centenária que nos dava sombra consegui finalmente acalmar o Kevin com um abraço. Já recuperada a normal respiração, com toda a calma, tentei entender o que se tinha passado.

Teria o Kevin perdido o lápis? Teriam batido a um dos meus meninos? Teriam tirado a sua pasta? Estaria doente? Magoado? – em segundos passaram pela minha cabeça imensas hipóteses para aquele choro estranho e inesperado. No entanto, apesar de uma pré-preparação de hipóteses cada uma pior que ela, atitude típica de mãe, ainda não estava preparada para ouvir a verdadeira razão daquele choro. Arrepiando-me, contorcendo-me toda, ficando com o olhar gelado, sem querer acreditar ouvi então a explicação do Kevin:

“_ Ainda não comi nada hoje senhora professora. Não havia comida em casa.”

quinta-feira, 13 de agosto de 2009






Fotos: Pós prova de Português (as minhas pintarolas)

Hoje pela primeira vez olharam para mim com olhos de medo. Não sei se era um medo genuíno ou se era eu que lhe fazia sentir isso com aquela minha expressão de pânico. Era um dia importante, importante para mim, importante para eles. Sem saberem estava eu naquela sala sem saber qual de nós ia ser mais posto à prova: se os meus alunos se eu.
Hoje foi dia de prova de Português. Ao contrário do que esperava a sala não tinha um ambiente pesado, os nervos dos alunos não se cheirava, as gotas de suor não eram visíveis. Digo, tirando os meus 8 alunos aquela sala não parecia uma sala de prova. Talvez tivesse pegado os nervos aos meus alunos, talvez o friozinho que começava a sentir se tivesse pegado. Não sei se me sentia eu mais avaliada ou eles,.. Se era verdade que os seus conhecimentos das letras ia ser posto à prova,a verdade é que a minha tentativa sem experiência alguma de ser professora ia igualmente ser posta à prova. Se obtivesse más notas sairia daquela sala meia derrotada se conseguisse ter boas notas estava encaminhada para o meu objectivo final.
Com caras de sérios recebiam o exame na mão como que pequenos adultos a receber um trabalho importantíssimo e com os pequenos e gastos lápis que poucos tem começavam a resolver o exame que não sendo difícil iria ser um desafio para cada um deles. Sentados cada um em secretários sozinhos começavam a escrever devagarinho, primeiro a medo, depois já com a convicção de quem sabe o que faz e que está confiante de que sairá dali com bons resultados.
A entrega daquele pedaço de papel que tanto embaraço criou foi um alivio para todos. As crianças já sorriam, já brincavam, falavam alto, já me tentavam chamar a atenção, já eram de novo "as minhas pintarolas".

Surpresa das surpresa. Só tive apenas uma negativa. A alegria começou a apoderar de mim aos poucos. O meu objectivo não está assim tão longe. A concretização está mais perto.