quarta-feira, 26 de agosto de 2009



Foto: Vicente

Imaginem...
Imaginem um orfanato colorido.
Imaginem o parque infantil onde 500 crianças brincam, se empoleiram nas grades,trepam árvores, correm uns atrás dos outros, gritam, chamam pela atenção dos que os olham.
Imaginem no meio de tanta multidão uma rapariga.
Imaginem uma rapariga sentada no chão, com pernas à chinês.
Imaginem a rapariga que enrolava a criança.
Imaginem uma criança de 3 anos sentada ao seu colo.
Imaginem o bater do sol na sua cara rechonchuda típica de uma criança pequena.
Imaginem que o bebé adormecera no seu colo, encostado ao seu peito com o dedo na boca.
Imaginem este cenário no meio da confusão.
Imaginem que os dois vivam um momento só seu.
Imaginem o olhar triste dessa rapariga.
Imaginem que é um olhar de despedida, de uma despedida forçada, necessária, imposta, que nenhum dos dois podia mudar.
Imaginem a despedida em silêncio.
Imaginem a perfeição do momento.
Imaginem o relembrar de todos os momentos que passaram juntos como flash-backs nas suas cabeças.
Imaginem a lágrima a cair do canto do olho da rapariga.
Imaginem um sentimento vazio.
Imaginem...


Hoje despedi-me do Vicente. Custou-me. Sem ele saber desejei leva-lo comigo para Portugal. O meu Vicente. O meu texuguinho.

1 comentário:

  1. A despedida custa...e muito, mas temos sempre um "Volto em Breve". Mais tarde vamos saber que eles estão bem, cresceram, lutaram. Como são muito pequeninos depressa se esquecem da professora, pois outros virão. O que interessa é o dia-a-dia, enquanto aí estás dar o teu máximo e deixar uma marca, por pequena que seja, para que não seja esquecida.

    Beijinhos

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